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Quando um homem toma uma arma e defende a sua bandeira pondo em risco a sua própria vida, o Estado tem o dever de o honrar. Tenha-o feito sob ordens de Salazar, de Afonso Costa, ou de um assobio - o que ele defendia era a Pátria. Não fugiu, não foi para Paris, não se escusou ao cumprimento de um dever lançando sobre os ombros dos outros, de forma egoísta e cobarde, o peso da sua própria responsabilidade. Pouco interessa se os motivos de quem governava eram bons ou maus considerado isto: pediram ao cidadão um grande sacrifício, e ele cumpriu-o. Pôs em perigo nada menos do que a própria em nome de Portugal, muitas vezes em condições inenarráveis, passando fome, doença, vendo amigos e irmãos a morrer: o simples facto de o ter feito chega para que o Estado o recompense.
Mas há quem não pense assim, e, ainda para mais, infelizmente governe. Porque só por considerarem os soldados da Guerra Colonial indignos de consideração é que os membros do XVII Governo, com o Sr. Sócrates à cabeça, tão apostados na desburocratização, na simplificação, na informatização, no tão apregoado simplex, lhes impõem o preenchimento de um impresso que leva à volta de seis horas a terminar. E nisto demonstra uma nojenta falta de consideração por aqueles que vieram traumatizados de África, por aqueles que pagaram com problemas de saúde complicadíssimos o serviço que prestaram à Nação, e que, concordemos ou não com os motivos da Guerra, nos merece toda a gratidão e reconhecimento. Mostra não ter moral, nem escrúpulos, nem um pingo de dignidade: nada a que não estejamos habituados vindo de quem vem, é certo. Mas mesmo assim, nada que possamos tolerar de ânimo leve.JV (realce meu ) (in http://cl-hammer.blogspot.com/ )