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Parece que o senhor engenheiro vai atribuir cinquenta mil diplomas - tomem bem nota deste número irresponsável - a criaturas "formadas" no âmbito das suas queridas "novas oportunidades". Até há pouco tempo, e depois de doze esforçados anos de escolaridade, vinha (para quem vinha) a universidade. Muitos analfabetos acederam a um curso superior e não deixaram de ser menos analfabetos pela circunstância de se terem "formado". As elites estão cheias deles, no Estado, no sector privado, nas instituições políticas. Bolonha veio agravar as coisas. A exigência, como o tempo de estudo, diminuiu onde já não era o que devia ser. Os novos licenciados são atirados, ainda de bibe, para um mundo, como agora se diz, "competitivo". Num país miserável como o nosso, "competitivo" quer dizer "amigo ou conhecido de", "recomendado por", etc., etc. Não tem qualquer conotação com mérito ou esforço intelectual ou manual. As "novas oportunidades" são como "aprender filosofia ou geografia em 30 minutos". Nuns escassos meses, anos e anos de escolaridade são "condensados" a bem da qualificação estatística. Teme-se, naturalmente, o pior. Com a sua habitual demagogia, Sócrates está a alimentar o vício ancestral da esperteza saloia. Sem uma economia robusta, sem produtividade, com as empresas decadentes, quais são as reais "novas oportunidades" que esperam estes desgraçados enganados (porque gostam) pela propaganda?
(in http://portugaldospequeninos.blogspot.com/2007/12/as-novas-oportunidades.html)