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(editado pelo grandelojadoqueijolimiano )
Sejamos claros e directos: qual é mais importante? A investigação de casos de corrupção desportiva na arbitragem portuguesa do futebol, ou a investigação dos casos de corrupção activa e passiva, nos meandros e no próprio seio do poder político da situação?
Dito de outro modo: o que causa mais dano à sociedade democrática portuguesa? A alteração de uma verdade desportiva, num campeonato de futebol, ou a eventual subtracção de meios avultados ao erário público e a subversão das regras democráticas e dos princípios básicos defendidos em todas as leis, a começar pela Constituição?
A resposta é óbvia e não há aqui nenhum sofisma.
Então, por que razão, de há alguns meses para cá, se deu tanta importância em meios, notoriedade, visibilidade mediática, à corrupção desportiva e pura e simplesmente se olvidou a relevância oficialmente devida, aos casos que surgem em forma de suspeita e até de prova indiciária traduzida em acusações públicas, pelo Ministério Público?
Como é que se pode compreender que se tenha constituído uma task force para reaveriguar ( após despachos de arquivamento já proferidos por magistrados do MP) os indícios de prática de crimes de corrupção desportiva, no Apito Dourado, depois de se saber das muitas dificuldades de prova que se apresentam, em termos substantivos ( a própria lei de corrupção desportiva pode muito bem ser inconstitucional- Gomes Canotilho dixit) e processuais (a validade das escutas telefónicas como prova, é muito falível e questionável)?
Que acontecerá à credibilidade das instituições que têm por finalidade a investigação criminal em Portugal, quando, daqui a algum tempo, se verificar o vazio indiciário, insuficiente para uma condenação prognosticada a Pinto da Costa e outros?
Alguém, nessa altura, vai regressar ao ponto de partida para averiguar como é que foi possível apostar agora, em investigadores especiais para um caso que deveria ter sido investigado desde o início com todos os meios e a apontar ao coração das trevas, em vez de se centrar no epifenómeno da corrupção desportiva?
Talvez nessa altura se fale que o magistrado do MP encarregado da investigação, quando pediu meios de transporte, deram-lhe…um passe de comboio para se desolocar de Gondomar para a capital! Sério. Agora, parece que há carros disponíveis, gasolina e ajudas de custo…o que não deixa de ser irónico, quando se prenuncia algo de discutível, incerto e talvez improvável.
Por outro lado, como se compreende que tenha ficado no olvido investigatório, durante oito anos, uma investigação que contendia com figuras públicas de relevo notório e perante denúncias concretas de corrupção que se confirmaram em termos indiciários suficientes para levar a uma acusação?
Que prioridades são estas? Quem as define em concreto e que critérios conduzem à sua definição?
Mais: se aquilo que o Público tem vindo a escrever sobre os negócios de empresas particulares com o Estado, no caso GEPI-António Morais- Conegil, envolvendo pessoas que se conhecem, são amigos e familiares e ainda por cima, suscitam sérias reservas quanto à transparência e correcção, de modo a terem sido alvo de acusação de corrupção, for de alguma forma verdadeiro, que pode a sociedade portuguesa esperar dos poderes públicos que investigam?
Que meios e que interesse são atribuídos a estas prioridades, em comparação com as do Apito?
As perguntas poderiam continuar, sendo certo que a pergunta mais directa e concreta já foi colocada: que se pode esperar da PGR, da PJ e do MP em geral, nestes casos concretos que abalam as estruturas do Estado português, porque denotam a podridão de princípios que o consome?
(copiado do http://grandelojadoqueijolimiano.blogspot.com/ )