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Processo Nº 230/2007
aos 09 de Outubro de 2009 (sexta-feira)
Senhor José Sócrates!!!
Todos os santos dias, quando me sento ao computador, é uma pa´gina em branco que aparece de portas e janelas abertas que encontro à minha espera, que sempre tento preencher com letras e palavras, pelo meu “sentir”, dimanando em vagas sucessivas. Outras vezes há, que me perco completamente. Parece que tenho a cabeça vazia, tão vazia, que mais parece um deserto com turbilhões de vento e muita areia. A mente encalha no vazio.
Levanto-me, dou uma “volta”, volto a sentar-me, passo a ponta dos dedos pelo teclado sem vida. Está morto o teclado do computador. Tamborilo os dedos na secretária. Penso no que tenho escrito, penso na minha Vida, penso na minha Família. Deixo a mente enredar-se numa miríade de pensamentos, os bons, os maus. O ambiente até é propício, estou em casa, sem afazeres de maior, é uma sexta-feira com a noite bem entrada. O silêncio pode ajudar!!! Pponho os dedos por cima teclado, para começar. Mas antes de carregar numa única tecla…paro. Ainda não foi desta!!!
Há que ter paciência!!!
Há que puxar o fio à meada!!!
À custa de muita persistência, começo a fixar-me em “alguma coisa”. Não tenho muito por onde escolher. Aliás não tenho escolha possível, dado que só tenho um único tema à minha disposição e pelo qual escrevo - a minha Família.
Mas tenho de escrever!!!
Tenho de escrever por vontade e a isso me “obrigo“, por amor e dedicação!!!
A minha Família, os crimes que sobre nós foram praticados, a ignomínia, a traição, a humilhação, a impunidade dos criminosos, a discriminação… se mais houvesse, que há, com toda a certeza - para acrescentar a tamanha maldade!!!
Já escrevi alguma coisa???
Não!!! Ainda não escrevi absolutamente nada, mas fica a causa primária, que está sempre presente no meus humildes “escritos“!!!
- Àqueles, quantos demais, quando, pelo instinto do mal, pela visão e pelos meios para o fazer, que foi e está a ser feito, nos peitos lhes penduro o letreiro com os seguintes dizeres: - São todos uns grandessíssimos filhos da puta.
FAMÍLIA, HONRA, DIGNIDADE.
(em memória do meu Pai, da minha Mãe e da minha Tia)
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J. Gonçalves
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